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2016-09-22 13:00:39

Viajar o mundo sem pagar hospedagem? Conheça o house sitting

Você mora fora de graça cuidando da casa e dos bichinhos de estimação enquanto o proprietário viaja

Imagine poder viajar sem gastar um centavo com hotéis, pousadas ou aluguel por temporada e ainda por cima ter uma casa só para você, sem ter que dividir o espaço com os moradores habituais do imóvel.

Em troca, você só precisa dispensar alguns cuidados básicos à moradia, como mantê-la limpa e organizada, regar as plantas, cortar a grama e cuidar dos animais de estimação.

Gostou da ideia? Então você precisa conhecer o house sitting, prática da economia colaborativa em que viajantes oferecem suas casas a outros viajantes em troca de alguns cuidados durante a sua ausência.

A hospedagem é um dos custos que mais pesam no orçamento de uma viagem. Quem gosta de viajar de forma econômica já encontra hoje opções em conta, como a hospedagem em albergues (“hostels”) e o aluguel por temporada, facilitado por sites como o Airbnb.

Para quem não quer pagar nada mesmo, a alternativa mais conhecida é o couchsurfing, prática em que os viajantes se hospedam na casa de pessoas que moram na cidade de destino, trocando experiências culturais e fazendo novos amigos.

Menos conhecido, o house sitting é uma prática diferente, que conserva a gratuidade do couchsurfing, mas com uma maior privacidade, como no aluguel por temporada.

O house sitter é como um caseiro, um cuidador ou ainda uma “babá” da casa dos seus anfitriões (daí a analogia com “baby sitter”).

O morador regular ou proprietário do imóvel está ausente – em geral em viagem – e precisa de alguém para cuidar da sua casa enquanto estiver fora. O house sitter é a pessoa que vai fazer esse papel, em troca do direito de hospedagem.

Pessoas que buscam house sitters geralmente têm animais de estimação, e precisam justamente de alguém para passear com eles, alimentá-los e fazer-lhes companhia.

Além disso, eles costumam exigir tarefas como limpeza básica e cuidados com as plantas, em especial quando ficam ausentes por tempo prolongado.

Assim, não basta o house sitter ser uma pessoa confiável do ponto de vista ético; precisa ser também alguém compromissado, flexível, disposto a seguir as instruções do seu anfitrião à risca e não deixar de cumprir suas obrigações domésticas.

Mulher e cão
House sitter provavelmente terá que cuidar de animais de estimação

O house sitting é para mim? Os prós e contras

O house sitting é ideal para quem quer experimentar a vida na sua cidade de destino como se fosse um morador local.

Não importa a sua idade, se você viaja sozinho, em casal ou em família. Existem destinos, moradias e anfitriões para todo perfil de house sitter, homens ou mulheres, com ou sem filhos, jovens ou mais velhos.

De acordo com o site de viagens Vida Cigana, o house sitting é uma prática mais comum em países de língua inglesa e na França, havendo também uma oferta razoável de destinos na Alemanha, na Espanha e na Itália.

No entanto, com alguma pesquisa você descobre que, embora menos comuns, há moradias disponíveis em diversos países do mundo, inclusive em destinos mais paradisíacos.

É aconselhável que o house sitter goste de animais de estimação e esteja disposto a cuidar deles durante a viagem, pois a maioria dos anfitriões procura house sitters justamente por causa dos seus bichinhos.

Outro fator fundamental é a flexibilidade. House sitters devem ser adaptáveis a novas rotinas e respeitar as regras e exigências de seus anfitriões. É importante também ser capaz de se sentir à vontade na casa de outra pessoa.

Já existe uma comunidade internacional de entusiastas desse modo de viajar, que só utilizam essa forma de hospedagem ou até adotaram o house sitting como estilo de vida – exercem trabalho remunerado remoto enquanto viajam pelo mundo cuidando da casa dos outros.

Mas você não precisa mergulhar tão fundo, ao menos num primeiro momento. O house sitting pode ser adotado esporadicamente e misturado com outras formas de hospedagem ao longo de uma mesma viagem.

Tenha em mente, porém, que as obrigações em relação à casa e aos eventuais animais de estimação podem ser fatores limitadores durante a sua estadia.

Você pode não conseguir fazer pequenas viagens de fim de semana para cidades próximas, por exemplo, ou passar muitas horas longe de casa. Afinal, seu primeiro compromisso como house sitter deve ser em relação às tarefas exigidas pelo seu anfitrião.

Por tudo isso, o house sitting é mais indicado para quem gosta de “viajar devagar”, passando um período prolongado em uma mesma cidade para aproveitar a estadia como um local ou apenas curtindo a casa e aquela localidade, se o tempo for mais curto.

Assim, você consegue fazer os passeios que deseja na cidade de destino e conhecê-la com calma, sem deixar de lado suas obrigações em relação aos anfitriões.

Além disso, o house sitting não se limita às viagens de lazer. Pode ser usado, por exemplo, por pessoas que precisam passar alguns meses estudando fora do seu país de origem, ou que desejam paz e tranquilidade para se dedicar a um projeto intelectual ou um negócio próprio.

Como encontrar ou se tornar um house sitter

Diversos sites aproximam pessoas interessadas em encontrar ou se tornar house sitters, alguns dos quais mediante cobrança de anuidades ou mensalidades.

Os membros criam perfis e podem buscar na base de dados os proprietários e house sitters que atendam às suas exigências e preferências. A ideia é que eles entrem em contato e se conheçam, por meio de entrevistas, antes de fechar negócio.

Nos moldes dos sites de e-commerce, normalmente há sistemas de avaliação e recomendação para os membros, como a classificação por estrelas.

Os perfis dos house sitters podem trazer informações como suas motivações, experiência prévia com house sitting e cuidados com animais, se possuem checagem de antecedentes criminais, disponibilidade de datas e locais para house sitting, além de dados pessoais, como idade e estado civil.

Esses sites também costumam trazer dicas para viajantes e disponibilizar para download um modelo de contrato para o anfitrião estabelecer as obrigações do house sitter e exigir um cheque-caução para cobrir eventuais danos, se desejar.

A tabela a seguir traz uma lista dos principais sites de house sitting e uma comparação de custos:

Site Custo para os proprietários Custo para os house sitters
TrustedHousesitters R$ 33,25/mês R$ 33,25/mês
Nomador Serviços básicos são gratuitos. Opção paga custa US$ 35/trimestre ou US$ 89/ano Serviços básicos são gratuitos. Opção paga custa US$ 35/trimestre ou US$ 89/ano
Housecarers.com Grátis US$ 50/ano
MindMyHouse Grátis US$ 20/ano
HouseSit Match £35/ano (plano Standard) ou £75/ano (plano Premium) £35/ano (plano Standard) ou £75/ano (plano Premium)

Alguns sites também disponibilizam conteúdos em formato de vídeo, texto e e-books, muitos deles pagos, para quem quer se iniciar no house sitting.

Eles ensinam as boas práticas, como a melhor forma de montar seu perfil ou se portar na entrevista entre anfitriões e candidatos, e ajudam os viajantes em busca de um house sitter a fazerem a seleção e se resguardarem de danos.

O site brasileiro Vida Cigana dedica boa parte do seu conteúdo ao tema. Os criadores, o casal carioca Larissa Pereira e Carlos Arruda, largaram seus empregos formais para viajar o mundo fazendo house sitting e trabalhando remotamente como freelancers.

Outro site que oferece bastante conteúdo sobre house sitting é o House Sitting Academy, das australianas Nat e Jody, que se dedicam ao house sitting como estilo de vida desde 2013. Lá, você começa fazendo um teste para saber se house sitting é ou não para você.

O site oferece conteúdos pagos e em inglês para quem deseja viajar por house sitting, mas não sabe por onde começar. O carro-chefe é um curso on-line que rende uma certificação para enriquecer seu perfil, além do acesso a uma comunidade fechada de house sitters.

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Julia Wiltgen

Jornalista responsável pelos artigos da Genial Seguros até 24/11/2017.

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